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Você sabe quem é Mauricio de Sousa. Sim, o criador da Turma da Mônica, aquela que veste sempre um vestido vermelho e tem 3 amigos bem leais, cada um com sua característica marcante: o menino que fala elado, a menina comilona e o menino que não gosta de tomar banho. Desde o final da década de 1960, Mauricio reina nas bancas brasileiras. As revistas dos personagens que ele criou em 1969 vendem sem parar, são líderes de mercado e tem uma estabilidade editorial que poucos artistas conseguiram na área, no Brasil.
Ainda assim, em 2008, Mauricio estava preocupado. Ele percebeu que boa parte do seu público estava se esvaindo. Leitores infantis crescem e se interessam por outros assuntos, afinal. Adolescentes não estão interessados nas aventuras simples da Turma da Mônica. Eles querem mais conteúdo e estavam consumindo cada vez mais quadrinhos japoneses – os mangás.
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Numa tacada de mestre, a Mauricio de Sousa Produções (MSP) anunciou o lançamento da Turma da Mônica Jovem, a versão adolescente dos personagens clássicos, desenhados em “estilo mangá” e vivendo histórias tão aventurescas quanto os heróis japoneses que, à época, dominavam as bancas de revistas brasileiras. Ponto para o Mauricio. Pouco tempo depois, a MSP iniciou os trabalhos para lançar as primeiras tiras da Turma da Mônica, em formato encadernado. As edições de luxo caíram no gosto dos leitores adultos, que liam as tirinhas na época em que elas eram publicadas nos jornais. Esse público havia “abandonado” a Turma, mas sentiam saudade dos personagens. Mais um ponto, no placar geral, para o Mauricio.
Em 2011, mais um projeto ousado. A Graphic MSP, série de livros com histórias especiais da Turma da Mônica, desenhadas por artistas independentes, cada um com um traço diferente e apresentando novas interpretações do universo criado por Mauricio. O lançamento chamou atenção do público que não lia Turma da Mônica por considerar infantil/juvenil demais, um público que prefere outras abordagens e temáticas – ficção científica, aventura, romance, mitologia. Mais um acerto em cheio.
Ainda que fosse líder de mercado, com vendas estabilizadas (e altas) e sucesso garantido há mais de 40 anos, a MSP não teve medo de ousar e produzir o que todos achavam que seria uma loucura. Investir em mangás? Vender tiras velhas em livrarias? Mudar o traço dos personagens? Pareciam devaneios, mas no fim se provou a melhor estratégia. A grande sacada do Mauricio e do Sidney Gusman, responsável pelo planejamento editorial da MSP, foi identificar três pontos fundamentais: quem é seu público, onde ele está e o que quer consumir. E produzir conteúdo diretamente para este público, exatamente como ele quer/precisa.
Baita lição pra gente, que está acomodado com os resultados que temos todos os dias, usando as mesmas estratégias de sempre, olhando para os mesmos gráficos de sempre. Que tal mudar o ponto de vista e tentar atingir novos públicos? Quanta gente você não está atingindo com o seu conteúdo por pura acomodação? fonte http://5seleto.com.br/no-dia-do-quadrinho-nacional-o-que-podemos-aprender-com-mauricio-de-sousa/
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