quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Mafalda chega ao 50 anos sem perder atualidade

Os desenhos que ilustram a história acima são até dispensáveis para mostrar como continua atual o universo que rodeia Mafalda, clássica personagem de Quino e que nesta segunda-feira (29) completa 50 anos. A garotinha de cabelos negros ornados por uma fita e rosto gorducho ficou conhecida por causa de suas contestações e inconformismo com o mundo que lhe serviu de palco durante 1964 e 1973.
Divulgação
Mafalda mostra o seu ódio por sopas. Segundo Quino, uma alegoria dos governos militares. "Algo que ela não gostava, mas que tinha que suportar"
Filha de pais de classe média, Mafalda nunca se limitou a problemas típicos da infância e levou o olhar crítico e apurado para questões econômicas e sociais de todo o planeta. Demonstrava ojeriza às desigualdades, às injustiças e à violência da mesma forma que repudiava um prato de sopa. Na direção oposta, colocava Beatles no mais alto dos patamares.
"Mafalda é uma heroína 'enraivecida' que recusa o mundo tal qual ele é. (...) Já que nossos filhos vão se tornar --por escolha nossa-- outras tantas Mafaldas, será prudente tratarmos Mafalda com o respeito que merece um personagem real", cunhou o escritor Umberto Eco em "Mafalda ou A Recusa", texto publicado em 1969 e que ajudou a torná-la famosa mundialmente.
Em sua cidade natal, Buenos Aires, Mafalda virou praça e estátua, uma das atrações preferidas de muitos turistas para as fotos. Mas ela representa muito mais que isso: apesar de ter vivido somente nos desenhos e tirinhas --e uma brevíssima incursão pelo desenho animado--, tornou-se uma referência de seu país, uma das dez figuras argentinas mais conhecidas em todo o mundo no século 20.
"Olhando em perspectiva, há dois aspectos importantes sobre Mafalda: o primeiro foi o diálogo com fatos da época, algo inovador em tiras sul-americanas; o segundo, foi o diálogo estabelecido com o leitor adulto. Hoje, muitos se esquecem de que a série foi produzida num momento político bastante delicado da Argentina e que os adultos eram o público-alvo prioritário das histórias. Esse fato direcionou a produção de tiras nos jornais argentinos a partir da década de 1970 e é sentido até hoje", explica Paulo Ramos, jornalista especialista em HQs e blogueiro do UOL, autor de "Bienvenidos - Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos".   continue lendo em http://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2014/09/29/mafalda-chega-ao-50-anos-sem-perder-atualidade-quadrinistas-comentam.htm

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